O brilho dos festejos juninos, que arrastam multidões em todo o país, em especial na região Nordeste, deve-se, em grande parte, aos espetáculos pirotécnicos, que iluminam os céus de centenas de cidades nos meses de junho e julho. Além do brilho no céu, as tradicionais queimas de fogos têm um impacto profundo no turismo, na geração de empregos e na economia de diversos municípios.
De acordo com levantamento do Ministério do Turismo, em 2024, as festas juninas atraíram aproximadamente 22 milhões de pessoas e movimentaram cerca de R$ 6 bilhões em todo o Brasil, com destaque para estados nordestinos. De acordo com a Associação Brasileira de Pirotecnia (Assobrapi), apenas no Nordeste, o setor dispõe de mais de 300 empresas especializadas na comercialização de fogos de artifício.
O brilho dos festejos juninos, que arrastam multidões em todo o país, em especial na região Nordeste, deve-se, em grande parte, aos espetáculos pirotécnicos, que iluminam os céus de centenas de cidades nos meses de junho e julho. Além do brilho no céu, as tradicionais queimas de fogos têm um impacto profundo no turismo, na geração de empregos e na economia de diversos municípios.
De acordo com levantamento do Ministério do Turismo, em 2024, as festas juninas atraíram aproximadamente 22 milhões de pessoas e movimentaram cerca de R$ 6 bilhões em todo o Brasil, com destaque para estados nordestinos. De acordo com a Associação Brasileira de Pirotecnia (Assobrapi), apenas no Nordeste, o setor dispõe de mais de 300 empresas especializadas na comercialização de fogos de artifício.
Setor busca alternativas para reduzir impacto em autistas e pets
As leis restritivas contam com o apoio de parte da população, sobretudo de pessoas que têm em casa crianças portadoras de autismo e animais de estimação, que, em geral, são mais sensíveis a barulhos de diversas naturezas, incluindo fogos de artifício. Atento a essa situação, o setor de fogos de artifícios tem atuado no sentido de minimizar o impacto junto a este público. Uma das medidas é a distribuição de abafadores de ruídos para pessoas com hipersensibilidade, como os portadores de autismo, em eventos com queimas de fogos. Desde o ano passado, entidades representativas do setor já distribuíram cerca de 15 mil abafadores de ruído em mais de 10 estados brasileiros, sempre em parceria com entidades que trabalham em prol da causa dos autistas.
A Associação dos Comerciantes de Fogos de Artifício da Cora do Meio, de Aracaju (SE), por exemplo, distribuiu cinquenta abafadores de ruído para que crianças autistas pudessem assistir e participar de festejos juninos na capital sergipana, protegidos do barulho não apenas dos fogos de artifício, mas também dos shows musicais. “Nossa intenção é viabilizar que os portadores de autismo também possam curtir as festas juninas como as demais crianças”, explica Virgínia de Jesus, presidente da entidade. A Associação distribuiu também cartilha com explicações sobre a utilização dos equipamentos e sobre os cuidados que os pais das crianças devem ter durante os festejo juninos.
Além da distribuição gratuita de abafadores auditivos, o setor tem atuado na capacitação de fabricantes comerciantes e promotores de espetáculos pirotécnicos, para que pratiquem uma pirotecnia responsável, que inclui parâmetros técnicos de acústica, assegurando limites de decibéis e distância segura de residências, hospitais e áreas ambientais. Há também uma priorização dos fogos com efeitos visuais, que também emitem ruídos, mas em escala bem menor.
O ruído emitido por artefatos pirotécnicos de efeito visual (que são a maior parte daqueles utilizados no réveillon e em festas juninas) podem atingir, a depender da distância de medição, entre 110 e 120 decibéis. Este é o limite adotado, por exemplo, na União Europeia, de acordo com resolução aprovada em 2013 pelo Parlamento Europeu. Para efeito de comparação, este limite corresponde a um nível sonoro igual ou mesmo inferior a muitos outros que se fazem presentes com muito mais frequência no dia a dia da sociedade, como demonstra a tabela a seguir:
| NÍVEL SONORO | EXEMPLOS |
| 90 decibéis | Liquidificador |
| 100 decibéis | Choro de bebê, motocicleta passando |
| 110 decibéis | Buzina de carro, serra elétrica, discoteca, concerto sinfônico, cinema, trovão |
| 120 decibéis | Motosserra, martelo no prego, máquinas pesadas, sirene de ambulância, shows |
| 130 decibéis | Britadeira, furadeira, percussão de orquestra sinfônica |
| 140 decibéis | Avião aterrissando |
| 150 decibéis | Jato aterrissando, estouro de balão |
Fonte: Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente
Grande parte da população se manifesta contra proibição de fogos de artificio
Importante destacar que grande parte da população nordestina tem manifestado, sobretudo nas redes sociais, ser contrária à simples proibição da queima de fogos, alegando sobretudo que, sem estes artefatos, as festas juninas perderão seu brilho, ocasionando o fim de uma tradição cultural que, todos os anos, mobiliza e encanta milhões de pessoas em todo o país. Ou seja: sem os fogos de artifício, as festas juninas perderiam a sua alma.
Pesquisa de opinião públicarealizada em todos os estados brasileiros, sob encomenda do Sebrae e do Instituto Euvaldo Lodi (IEL), revela que mais de 70% dos brasileiros gostam de assistir a espetáculos de fogos de artifício. A maioria dos entrevistados entende que proibir não é o melhor caminho, mas que haja uma legislação com regras mais claras. Apenas 20% se manifestaram disseram ser favoráveis a uma proibição total dos fogos de artifício.
A mesma pesquisa avaliou o perfil dos consumidores desse tipo de produto. Entre os entrevistados do nordeste que se declararam consumidores, 57% afirmaram consumir durante as festas de São João, em contraste com os 28% da amostra nacional para o período. Os dados retratam a força do segmento durante as festas nordestinas nesta época do ano.
Proibição inviabilizaria milhares de empresas e aumentaria comércio clandestino
De acordo com Guilherme Santos, coordenador a Aliança da Pirotecnia Brasileira, movimento que congrega as principais associações do setor, uma eventual proibição ou limitação excessiva do nível de barulho emitido por fogos de artifício e artefatos pirotécnicos causaria um forte impacto negativo na cadeia industrial do setor de fogos de artifícios e artefatos pirotécnicos, que movimenta mais de R$ 400 milhões por ano, levando à falência centenas de empresas, que geram milhares de emprego em todo o país.
Haveria também um impacto negativo no comércio varejista de fogos de artifício, que, de acordo com pesquisa do IBGE, é composto por cerca de 4 mil empresas, que somam um capital social de pelo menos R$ 10 bilhões. Tal impacto abrangeria, ainda, empresas que organizam espetáculos pirotécnicos, como os que ocorrem todo ano em festas juninas e no réveillon, que atraem turistas de todo o mundo para cidades de todo o Brasil e movimentam diversos segmentos, como hotelaria, eventos, bares e restaurantes.
Guilherme santos chama atenção também para o fato de que a proibição da comercialização de fogos de artifício por empresas legalmente estabelecidas terá como “efeito colateral” o aumento do comércio clandestino de produtos sem certificação, aumentando o risco de acidentes e fragilizando a segurança da população.
Fogos de artifício são utilizados há vários séculos em todo o mundo
Os fogos de artifício estão presentes na cultura de diversas civilizações em todo o mundo, através dos séculos. No livro “A história dos Fogos-de-Artifícios”, o escritor e historiador Alan St. H. Brock aponta que origem da arte pirotécnica ocorreu no século IX, na China ou na Índia. A partir do Século XIV, os fogos de artifício orientais passaram a ser utilizados com a finalidade de entretenimento na Europa e, desde então, espalharam-se por diversos países, tornando-se muito populares a partir de meados do século XVII.
No Brasil, a chegada da Família Real, em 1808, antecede os primeiros registros de fabricação e uso de fogos de artifício, sempre empregados em momentos solenes e comemorativos de grandes episódios da História nacional. Consta, por exemplo, que o casamento de Dom Pedro I e a princesa Dona Leopoldina, foi saudado com um grande espetáculo pirotécnico.
A partir de 1859, os primeiros produtores de fogos de artifício começam a atuar em Santo Antônio do Monte, cidade no interior do Centro-Oeste de Minas Gerais, que viria a se tornar o principal polo produtor nacional. Atualmente, o Brasil ocupa a segunda posição mundial na produção de fogos de artifício e artefatos pirotécnicos, atrás apenas da China.


