Fogos de artifício unem tradição cultural e geração de renda nas festas juninas

De acordo com o Ministério do Turismo, os folguedos atraem mais de 20 milhões de pessoas e movimentam cerca de R$ 6 bilhões por ano em todo o Brasil

O brilho dos festejos juninos, que arrastam multidões em todo o país, em especial na região Nordeste, deve-se, em grande parte, aos espetáculos pirotécnicos que iluminam os céus de centenas de cidades nos meses de junho e julho. Além do brilho no céu, as tradicionais queimas de fogos têm um impacto profundo no turismo, na geração de empregos e na economia de diversos municípios.

Segundo levantamento do Ministério do Turismo, em 2024, as festas juninas atraíram aproximadamente 22 milhões de pessoas e movimentaram cerca de R$ 6 bilhões em todo o Brasil, com destaque para estados nordestinos. Apenas no Nordeste, onde ocorrem os festejos mais tradicionais, o setor dispõe de mais de 300 empresas especializadas na comercialização de fogos de artifício.

Setor movimenta R$ 400 milhões por ano no Brasil

Estimativas das Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) indicam que o setor de fogos de artifício e espetáculos pirotécnicos movimenta anualmente mais de R$ 400 milhões no Brasil. Apenas a indústria do setor gera mais de 15 mil empregos no país. Ela está organizada, principalmente, em um Arranjo Produtivo Local (APL) sediado em Minas Gerais, nos municípios de Santo Antônio do Monte, Lagoa da Prata, Japaraíba, Pedra do Indaiá e Moema, onde estão instaladas cerca de 60 fábricas. De acordo com a Pesquisa Industrial Anual–Produto, do IBGE, as cerca de 4 mil empresas varejistas que comercializam produtos do gênero em todas as unidades da Federação somam um capital social da ordem de R$ 10 bilhões.

“O setor de fogos de artifício é um importante gerador de valor econômico para o nosso estado e para o país, destacando-se pela alta qualidade, criatividade e inovação de seus produtos. A indústria brasileira é destaque internacional nesse segmento, com excelentes perspectivas de crescimento no atual cenário econômico mundial, que para ser melhor aproveitadas demandam segurança jurídica e um ambiente regulatório equilibrado”, afirma o presidente da FIEMG, Flávio Roscoe.

Ele destaca que o SENAI-MG opera o único centro tecnológico especializado em fogos de artifício da América Latina, fornecendo capacitação técnica e garantindo padrões elevados de qualidade e segurança, além de qualidade e inovação. A cadeia produtiva do setor é composta ainda pelos espetáculos pirotécnicos que, a exemplo do que ocorre em diversos outros países, se integraram à cultura brasileira como uma manifestação de arte e entretenimento, e hoje são parte fundamental e indissociável de eventos de celebração, comemoração e confraternização, como os festejos juninos e as festas de réveillon quem ocorrem em diversas cidades brasileiras, atraindo não apenas a população local, como também milhões de turistas nacionais e estrangeiros. Os espetáculos pirotécnicos movimentam, ainda, diversos segmentos do setor de serviços, como hotelaria, eventos, bares e restaurantes.

Segmento investe em ações para reduzir impacto em autistas e pets

Tomando como base essas evidências científicas, entidades que representam o setor de fogos de artifício e artefatos pirotécnicos têm buscado alternativas com vistas a reduzir o impacto do barulho sobre animais domésticos e indivíduos portadores do Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) ou com hipersensibilidade, viabilizando que eles também possam desfrutar da beleza e da magia dos espetáculos pirotécnicos. Um bom exemplo é a parceria firmada pela Aliança Brasileira da Pirotecnia com a Associação Brasileira de Autismo e Deficiência Intelectual (ABRADI), para distribuir abafadores auriculares para crianças autistas, que lhes permita estar em ambientes com estímulos sonoros intensos, incluindo assistir a espetáculos pirotécnicos.

O projeto já distribuiu cerca de 20 mil abafadores auriculares em diversos estados brasileiros. “Os abafadores auriculares também podem ser utilizados em animais de estimação, como cães e gatos que, em geral, ficam incomodados com o barulho emitido não apenas por fogos de artifício, que são sazonais, como também por diversos e mais rotineiros ruídos do dia a dia”, explica o coordenador da Aliança, Guilherme Santos.

Pesquisa revela opinião de brasileiros sobre fogos de artifício

Pesquisa pública, de opinião realizada nacionalmente em julho de 2024, revela a percepção da população sobre a utilização de fogos de artifício e artefatos pirotécnicos em eventos comemorativos, como os que ocorrem todo ano no réveillon. Encomendada pelo Sebrae e pelo Instituto Euvaldo Lodi (IEL), a pesquisa entrevistou 2.005 pessoas em todos os Estados brasileiros.

O levantamento revelou que 60% dos brasileiros gostam de assistir a espetáculos com fogos de artifício. E que apenas 20% defendem uma regulamentação que signifique proibir totalmente a produção e comercialização destes artefatos. No portal da Aliança também é possível acessar um presentation com mais informações sobre o setor da pirotecnia, incluindo dados sobre estudos científicos sobre acústica e impactos sonoros de fogos de artifício, além de depoimentos de especialistas sobre o setor da pirotecnia.

Fogos de artifício são utilizados há vários séculos em todo o mundo

Os fogos de artifício estão presentes na cultura de diversas civilizações em todo o mundo, através dos séculos. No livro “A história dos Fogos-de-Artifícios”, o escritor e historiador Alan St. H. Brock aponta que origem da arte pirotécnica ocorreu no século IX, na China ou na Índia. A partir do Século XIV, os fogos de artifício orientais passaram a ser utilizados com a finalidade de entretenimento na Europa e, desde então, espalharam-se por diversos países, tornando-se muito populares a partir de meados do século XVII.

No Brasil, a chegada da Família Real, em 1808, antecede os primeiros registros de fabricação e uso de fogos de artifício, sempre empregados em momentos solenes e comemorativos de grandes episódios da História nacional. Consta, por exemplo, que o casamento de Dom Pedro I e a princesa Dona Leopoldina, foi saudado com um grande espetáculo pirotécnico. A partir de 1859, os primeiros produtores de fogos de artifício começam a atuar em Santo Antônio do Monte, cidade no interior do Centro-Oeste de Minas Gerais, que viria a se tornar o principal polo produtor nacional. Atualmente, o Brasil ocupa a segunda posição mundial na produção de fogos de artifício e artefatos pirotécnicos, atrás apenas da China.