NOTA OFICIAL: NÃO EXISTEM FOGOS DE ARTIFÍCIO “SEM RUÍDO”

Em nome dos princípios de transparência e responsabilidade que norteiam o setor, a Aliança Brasileira da Pirotecnia vem a público esclarecer que diferentemente do que tem sido comumente divulgado, não existem “fogos de artifício silenciosos” nem “fogos de artifício sem ruído”. Mesmo os espetáculos tradicionais de luz e cor que encantam milhões de pessoas no réveillon e em outros momentos festivos ao longo do ano – os chamados “fogos com efeitos visuais” – também emitem algum tipo de som. Nesses casos, o som não é um objetivo industrial, mas uma consequência do efeito que se objetiva gerar.

De acordo com Krysdany Cavalcante, presidente da Sociedade Brasileira de Acústica (SOBRAC), existem, no geral, três grupos de ruídos: os contínuos ou intermitentes, os ruídos tonais eos ruídos impulsivos (nos quais se enquadram os fogos de artifício). A medição para cada tipo de ruído requer descritores específicos, sendo que a capacidade de os suportar varia do ponto de vista fisiológico e da sensibilidades de cada pessoa. “No caso dos ruídos dos fogos de artifício, há um impulso gerado na hora do disparo do solo, um outro ruido (às vezes tonal) na trajetória dele rompendo o ar e, depois, um ruído impulsivo nos disparos para o efeito luminoso”, explica.

Outro conceito fundamental, segundo o especialista, é a atenuação dessa energia sonora com a distância. Ou seja: quanto mais distante da fonte estivermos, menor a pressão com que o som vai atingir os ouvidos. “A rigor, chegamos a ter uma diferença de 20 decibéis a menos quando você está a 400 metros do local do disparo”, explica Krisdany Cavalcante.

A regulamentação da lei estadual de São Paulo, por exemplo, autoriza a queima de fogos com controle de emissão sonora com um ruídos de até 120 decibéis.  Importante destacar que este é o limite máximo adotado pela União Européia em em diversos países ao redor do mundo.,

Para efeito de comparação, 120 decibéis correspondem a um nível sonoro igual ou mesmo inferior a muitos outros ruídos que se fazem presentes com muito mais frequência no dia a dia da sociedade, como demonstra a tabela a seguir:

NÍVEL SONOROEXEMPLOS
90 decibéisLiquidificador
100 decibéisChoro de bebê, motocicleta passando
110 decibéisBuzina de carro, serra elétrica, discoteca,
concerto sinfônico, cinema, trovão
120 decibéisMotosserra, martelo no prego, máquinas
pesadas, sirene de ambulância, shows
130 decibéisBritadeira, furadeira, percussão de orquestra sinfônica
140 decibéisAvião aterrissando
150 decibéisJato aterrissando, estouro de balão

Fontes: Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente e 27th Annual International Noise Awareness

De acordo com o coordenador da Aliança Brasileira da Pirotecnia, Guilherme Santos, a confusão com relação a emissão de sons de fogos de artifício tem levado diversas câmaras municipais e assembleias legislativas a aprovarem projetos com vistas a proibir a realização de espetáculos com “fogos com estampido” – o que não faz sentido, pois, conforme demonstrado acima, todos os artefatos pirotécnicos, inclusive os de efeitos visuais, emitem algum tipo de barulho.

O efeito de abertura, por exemplo, relacionado a uma projeção esférica de luzes e cores pelo céu, que é o mais característico desse segmento em todo o mundo, é impossível de ser reproduzido sem uma combustão. E sem esse efeito, não há show pirotécnico possível.

Para esclarecer a população sobre estes e outros mitos sobre fogos de artifício,  a Aliança Brasileira da Pirotecnia  colocou recentemente no ar um portal contendo diversos dados e informações sobre o setor , que movimenta R$ 400 milhões por ano, atrai milhões de turistas e gera milhares de emprego em todo o país. O website pode ser acessado por meio do seguinte link: https://pirotecniabrasileira.com.br/

Setor investe em ações com entidades voltadas ao público autista e pet

Dentro da política de praticar uma pirotecnia responsável e tomando como base essas evidências científicas, entidades que representam o setor no país têm buscado alternativas com vistas a reduzir o impacto do barulho sobre animais domésticos e indivíduos portadores do Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) ou com hipersensibilidade, viabilizando que eles também possam desfrutar da beleza e da magia dos espetáculos pirotécnicos.

Um bom exemplo é a parceria firmada pela Aliança Brasileira da Pirotecnia com a Associação Brasileira de Autismo e Deficiência Intelectual (ABRADI), para distribuir abafadores auriculares para crianças autistas, que lhes permita estar em ambientes com estímulos sonoros intensos, incluindo assistir a espetáculos pirotécnicos. O projeto já distribuiu cerca de 20 mil abafadores auriculares em diversos estados brasileiros.

“Os abafadores auriculares também podem ser utilizados em animais de estimação, como cães e gatos que, em geral, ficam incomodados com o barulho emitido não apenas por fogos de artifício, que são sazonais, como também por diversos e mais rotineiros ruídos do dia a dia”, explica o coordenador da Aliança, Guilherme Santos.

Além disso o setor iniciou também ações de fomento a eventos destinados para o público pet, onde busca sempre contribuir também com palestras de especialistas em comportamento animal focadas em técnicas de dessensibilização dos animais a estímulos sonoros intensos.